| Professor: profissão de risco? |
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| 15 de Abril de 2009 | ||||||||||
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A profissão de professor, diante do aumento das agressões no meio escolar, pode ser considerada de risco para quem se expõe a sobressaltos fonte: Agora (14.04.2009)José Antonio Klaes Roig * Mergulhador, mineiro, bombeiro e policial são profissões expostas ao risco diário. Exceto as duas últimas, as demais são bem remuneradas. E a profissão de professor? Diante do aumento das agressões no meio escolar também não passou a ser de risco para quem se expõe a sobressaltos?
O magistério público perdeu status e conquistas, por conta de sucessivas administrações polÃticas que gerenciam a coisa pública de forma empresarial. O lado financeiro da folha de pessoal - a maior em qualquer governo, pelo número de servidores e não por altos salários inexistentes - é o que se sobressai. Os educadores perderam a polÃtica salarial; a reposição, quando ocorre, é abaixo do reajuste dos serviços públicos e dos preços da iniciativa privada. Piso nacional e planos de carreira são contestados. Fala-se em premiar os melhores, mas educar é compartilhar solidária e não solitariamente os resultados.
Dados históricos demonstram que conquistas e manutenção de direitos decorreram do ato de não trabalhar; ou seja, a greve. Sem tal mecanismo de pressão social, a remuneração seria mais baixa. Com ele, conservou-se o mÃnimo de dignidade. Com a manutenção pela Assembleia Legislativa da decisão da governadora de não pagar pelos dias de greve aos trabalhadores em educação, instituiu-se a não-remuneração do trabalho recuperado. Constituiu-se ao exercÃcio de fato suposta forma preventiva contra futuras greves. Há 16 anos, exercendo variadas funções na educação pública, lamento tal situação. Em contrapartida, pipocam escândalos paÃs afora e aqui no Estado, com alguns ganhando (e muito!) sem trabalhar. Quantias que deveriam ser destinadas a investimentos sociais e na melhoria do salário dos que trabalham.
A "pedagogia do exemplo" de professores, pais e autoridades proporciona aos jovens o espelhamento social. A escola, sem conseguir resolver seus problemas, não resolverá os da sociedade, pois a famÃlia, salvo exceções, desonerou-se do papel fundamental de também educar à s crianças, deixando tudo a cargo da televisão, internet etc. Pais que comparecem à escola são raros; e os que deveriam, vão mais para a defesa intransigente do que desconhecem. Querem saber a causa do aluno-problema? Conheçam seus pais! Pai desinteressado é conivente com o futuro de risco do filho.
De celebridades a comentaristas esportivos, todos - distantes da escola pública - creem na solução para a violência, a corrupção etc. passar pela educação. Até é, mas e a solução para servidores desmotivados e/ou intimidados? Educadores não são máquinas e cada vez mais adoecem por problemas fÃsicos e emocionais. E enfermos, são descontados, pois para o sistema quem não trabalha não tem a integralidade do salário; salvo se for polÃtico profissional, legislando em causa própria, e ganhando muito pelo pouco que faz, quando faz.
Profissão de risco é aquela que expõe alguém a desgastes desnecessários. Pleitos judiciais para receber o que é devido levam anos; quando faz-se justiça, abre-se mão de parte do montante se quiser receber em vida, pois precatórios serão para netos usufruÃrem. Quando noticiam mais um professor agredido ou ameaçado por aluno, pai e outros, vem à tona a consciência de que a escola é o reflexo da famÃlia e da sociedade desestruturadas, cobrando da escola mais do que instrução.
Sem a valorização profissional da categoria, corre-se o risco da extinção de educadores libertários, restando apenas burocratas do saber, que cumprem metas estatÃsticas sem visar à emancipação do cidadão. Um mundo burocratizado é um risco para qualquer povo. Perde-se em inventividade, independência e solidariedade. Sem o professor, ninguém teria profissão. E quando o educador sente-se em risco, comprometida está a formação das gerações futuras. Portanto, valorizar a categoria mais que um ou outro profissional é o dever de todos, pois tudo é transitório, menos o eterno ato de educar. * Educador
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