Webno portal
Home Artigos 2 Paraguais, 10 palavrões e 0 educação
2 Paraguais, 10 palavrões e 0 educação PDF Imprimir E-mail
21 de Maio de 2009
Ladeira abaixo, assim caminha a Educação em São Paulo. A sucessão de desparates políticos, pedagógicos e estruturais parece não ter fim
fonte: blogue Janela sobre a Palavra (19.05.2009)
Renata Mielli

Os números de horror protagonizados pela administração tucana são intermináveis. O mais novo episódio foi a aquisição do livro "10 na área, um na banheira e ninguém no gol" para o programa Ler e Escrever destinado aos alunos do ensino fundamental.

O livro, uma coletânea de Histórias em Quadrinhos assinadas por quadrinistas renomados, que conta com o prefácio do craque de futebol Tostão e introdução do escritor e roteirista José Roberto Torero, está muito longe de ser destinado ao público infanto-juvenil e, muito menos, como material de apoio didático.

Suas histórias falam de futebol com a liberdade temática e de expressão que movem os apaixonados pelo esporte, ou seja, envolvem palavrões, situações de violência e de verborragia sexual. É um livro para adultos.

Na avaliação da Secretaria Estadual de Educação o erro - como foi classificada a compra dos livros - não foi tão grave, uma vez que este é apenas "1 título entre 818 que foram adquiridos pelo programa, e os 1.216 exemplares da obra representam "0,067% do 1,79 milhão de livros colocados à disposição das crianças", divulgou em nota a Secretaria. O equívoco foi minimizado, ainda, pelo fato de ter-se percebido rapidamente que o conteúdo era inapropriado permitindo o pronto recolhimento dos livros.

A questão que deveria ser colocada em debate não é o "erro", pontual ou não, da aquisição do livro inadequado ou, ainda, a impressão de cartilhas com dois Paraguais no mapa, mas sim ir a fundo na discussão da metodologia de trabalho da Secretaria Estadual de Educação, no treinamento dos profissionais responsáveis pela definição do material didático e de apoio, no processo de formação dos professores da rede, o investimento em novas tecnologias e infraestrutura para modernizar a rede e tornar o ensino mais atrativo.

Para eximir-se do problema, a Secretaria informou, também em nota, que abriu sindicância interna para apurar quem foi o responsável pela compra dos livros. Ora, responsabilizar um funcionário não vai solucionar um problema que se alonga há mais de uma década e que está enraizado na concepção que este governo tem da Educação pública - um serviço que deveria ser terceirizado ou privatizado.

Essa é a visão que perpassa toda a política educacional que vem sendo aplicada no estado de São Paulo, desde que o PSDB assumiu a administração. Maquiagem de estatísticas com a criação da Promoção Continuada, que já foi altamente questionada e denunciada pela sociedade como sendo, na prática, uma aprovação automática, que aprova alunos sem o domínio mínimo dos conteúdos, semialfabetizados.

Falta de professores, salários defasados, falta de equipamento escolar adequado, falta de escolas, e um rosário sem fim de ausências que poderia ser desfiado ainda por muitas e muitas linhas.

Que mais esse episódio sirva de estímulo para a sociedade exigir uma mudança de postura do governo paulista diante de um grave problema social de nosso estado.
Comentários
Adicionar Pesquisar RSS
+/-
Enviar comentário
Nome:
Email:
 
Website:
Título:
UBBCódigo:
[b] [i] [u] [url] [quote] [code] [img] 
 
 
Por favor, insira o código que aparece na imagem.
Prof. Donizetti Teobaldo  - Disparate em cima de desparate   |21-05-2009
É, coitado do governo paulista. A crítica ao invés de ajudar acaba atrapalhando ainda mais a
situação do tão famigerado livro.O resultado atual da educação é crítico mesmo, nota-se pelo
uso inadequado da palavra disparate escrita no comentário do livro "Dez na área, um na
banheira e nenhum no gol".

3.20 Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
e-educador   O Portal Colaborativo do Educador Creative Commons License