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Aécio diz que tucanos devem procurar outros aliados
Notícia publicada no Portal Vermelho (02.12.2009)
As imagens do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e de alguns de seus assessores próximos e deputados distritais com maços de dinheiro deixaram o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), "violentamente surpreendido". Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (2), Aécio também afirmou que o caso causou desgaste ao DEM, principal aliado do PSDB na candidatura à Presidência em 2010, e aproveitou para reforçar seu nome como aquele capaz de agregar "outras forças políticas" para a corrida presidencial do ano que vem, sem excluir o Democratas da aliança. Arruda era tido como o principal nome do DEM para ser o vice da chapa com os tucanos.
"As cenas são realmente tristes. Me surpreendi violentamente com elas. As imagens são muito fortes, são extremamente fortes. As cenas são chocantes e as acusações, me parecem, são extremamente graves. O desgaste existe, ele é claro. Vamos ter que contabilizá-lo no momento eleitoral, não dá para você antecipar agora uma contabilização de prejuízo", avaliou.
"Talvez esse episódio fortaleça a ala tucana que quer ampliar a aliança. Tenho disposição, se for a vontade do meu partido, de colocar o meu nome como candidato à Presidência da República. Acho que posso atrair aliados importantes", acrescentou.
Para Aécio, que no passado já fez vários elogios a Arruda, o governador do DF deve explicações sobre o esquema desbaratado por meio da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Afirmou ainda que caberá ao Democratas decidir sobre o destino político do colega do DF.
No meio do escândalo que contamina a política da capital federal, sobraram acusações também para Aécio. O governador mineiro foi apontado como uma das pessoas a quem Arruda pediu ajuda quando soube que estava sendo investigado. Aécio nega a acusação.
Aécio também negou relação entre o caso do DF e outros esquemas apelidados de "mensalão" envolvendo o PT e, em 1998, na reeleição do então governador de Minas, o atual senador Eduardo Azeredo (PSDB). Os dois casos correm no Supremo Tribunal Federal (STF). "Não quero me ater na análise profunda da diferença dessas questões. São absolutamente distintas", disse.
DEM critica PSDB por falta de “solidariedade”
Ao anunciar a abertura de processo contra o governador flagrado recebendo maços de dinheiro, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), criticou a postura do PSDB em diversas ocasiões.
Hoje, a Executiva nacional do PSDB decidiu sair da base aliada de Arruda no Distrito Federal.
Maia reclamou do fato de alguns tucanos analisarem o mensalão do DEM como um dos motivos de não colocar o partido na chapa presidencial a ser encabeçada pelo governador José Serra ou Aécio Neves. O democrata lembrou que o seu partido foi “solidário” à governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), acusada de desviar R$ 44 milhões do Detran.
“Da mesma forma que a direção nacional do DEM foi solidária com a crise por que passa até hoje o PSDB no Rio Grande do Sul, eu não entendo por que alguns tentam misturar temas.”
As críticas chegaram a uma suposta omissão dos tucanos. “No Distrito Federal, o Democratas tem o governador hoje e vai julgá-lo. No Rio Grande do Sul, o PSDB tem o governador e não fez nenhum tipo de julgamento”, disparou Maia. “Nós vamos decidir. No caso dos outros partidos, não se decide.”
O presidente do Democratas afirmou que as crises, “infelizmente”, atingem qualquer partido. E que isso não impede em nada uma eleição. “Se crises como essa fossem impedimentos, talvez o PSDB não pudesse ter candidato a presidente”, afirmou Maia.
Ele preferiu não comentar o desembarque tucano da gestão de Arruda: “Cada partido toma sua decisão”.
A dupla dinâmica: Serra e Arruda
Arruda, o governador do DF responsável pelo escândalo do Panetonegate estava cotado para ser o vice de José Serra, na coligação PSDB / DEM. Nada melhor do que as próprias palavras do governador de SP, neste vídeo do Youtube.
Veja no vídeo, abaixo
JB: Aécio Neves tentou adiar Operação Pandora, que revelou acusações contra Arruda, seu amigo.
Notícia publicada no Jornal do Brasil, autoria deLeandro Mazzini, publicada no Blogspot (02.12.2009).
Segue matéria do JB.
Se você não ligou o nome a pessoa, Arruda é aquele governador do DF acusado de uma robalheira danada.
Aqui, há uma matéria bem detalhadinha sobre o vazamento da operação da PF. Lá no final dela, tem um monte de link, se não para todos, para boa tarde daqueles vídeos constrangedores que, diz a PF, provariam a robalheira do único governo estadual do DEMO (do DEM, ex-PFL).
Arruda tentou impedir operação.
BRASÍLIA - O ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, mostrou-se ser um homem de peito. Na quinta-feira, véspera da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, recebeu em seu gabinete o governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Ciente da investigação, não se sabe como, Arruda foi apelar para o bom senso do ministro. Pediu mais tempo para provar que era inocente.
Ao que consta, Gonçalves foi solícito, mas não deu esperanças. Arruda ligou para o amigo Aécio Neves, governador de Minas, que também entrou no circuito em solidariedade. Em vão. Logo depois, bastou um telefonema do ministro para a cúpula da PF.
Como se sabe, no dia seguinte, 150 policiais federais foram às ruas de Brasília, Goiânia e Belo Horizonte para busca e apreensão de documentos.
O DEM faz cena. Sabia de Arruda em risco. Prova disso é que tenta blindar, senão o governador, pelo menos o partido. Na surdina, a cúpula da legenda promoveu segunda-feira à noite um jantar com quatro ministros do Supremo Tribunal Federal, na casa de um senador.
Panetones de Arruda e relações com Serra são alvos de blogueiros
Da revista Brasil Atual (01.12.2009). Mais um escândalo. Desta vez sobrou para o DEM. Leiam o artigo.
Escândalos de corrupção no Distrito Federal concentram atenções na internet. A alegação do governador de que recursos seriam para comprar panetone para crianças carentes é ridicularizada
Carlinhos Medeiros, do Bodega Cultural, ironiza alegação de Arruda (Foto: Reprodução Bodega Cultural)
O escândalo de corrupção no governo do Distrito Federal é o tema do dia para blogues de política partidários do governo Lula. Um dos alvos mais frequentes é a alegação do governador José Roberto Arruda (DEM) de que os valores sobre os quais aparece em gravações e vídeos negociando seriam para comprar panetones a crianças carentes. Outro ponto é a proximidade entre o acusado e o governador José Serra (PSDB), já que Arruda chegou a ser cotado como candidato a vice-presidência em uma chapa de tucanos e democratas.
Descoberto pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada na sexta-feira (27), o esquema de corrupção distribuía verbas a parlamentares e secretários do DF, segundo a Polícia Federal (PF). Os recursos seriam captados irregularmente junto a empreiteiras e empresas de informática.
Rodrigo Vianna lembra uma reportagem de 2008 da Folha On line em que se discute o significado eleitoral de uma parceria técnica entre Distrito Federal e São Paulo. Arruda declarava, à época, estar "copiando" projetos bem sucedidos de Serra. "Que projeto seria esse? A compra de panetones com dinheiro cedido por empresas que prestam serviços ao Estado?", escreveu.
"Agora, Serra ficou também sem vice", prosseguiu. Se o tucano tem problemas para compor a chapa, Vianna faz uma ressalva: "Nesse quesito, Dilma não vai melhor: Michel Temer como vice é de lascar", lamentou.
Paulo Henrique Amorim, em seu Conversa Afiada, lembrou que Arruda era líder do governo Fernando Henrique Cardoso quando foi acusado de envolvimento na violação do painel do Senado. Ele teve de renunciar para escapar da cassação do mandato.
No mesmo blogue, Vianna lembrou de entrevista concedida por Arruda à revista Veja, sob o título "Ele deu a volta por cima", em referência ao escândalo da violação do painel do Senado em 2001. Na ocasião, o governador afirmou que o limite do fisiologismo que ele tolerava em sua gestão era "o limite ético", quer dizer "não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada".
A entrevista à publicação da editora Abril, aliás, havia sido alvo de suspeita ainda em julho, quando foi divulgada. A jornalista Paola Lima apresentou, à época, nota de empenho de R$ 442 mil para a editora para aquisição de revistas. Embora não houvesse ilegalidade, a ação foi cancelada após revelada a operação.
Carlinhos Medeiros, do Bodega Cultural, ironiza a versão de que os recursos serviriam para comprar panetones a crianças carentes. "Arruda, não esquece o meu!", postou. Ele ainda criticou a cobertura e a análise da imprensa que mantém cautela ao analisar o escândalo, sempre mantendo condicionais para descrever o caso.
Castelo de areia
O jornalista Carlos Motta qualifica de debandada a saída do PPS e do PSDB da base de apoio de Arruda. "Arruda já era", escreveu. "Agora vamos ver no que vai dar o caso dos tucanos paulistas, acusados de receberem dinheiro da construtora Camargo Corrêa", relaciona.
A referência é a denúncia publicada no sábado pelo jornal O Estado de S.Paulo que aponta indícios de repasses da empreiteira Camargo Corrêa ao Palácio dos Bandeirantes. Em outra operação da PF, a Castelo de Areia, documentos apreendidos trazem valores em dólar que seriam repassados à sede do governo paulista desde 1996.
"Bem que o TSE avisou o DEM é o partido mais corrupto do Brasil", ironizou Jussara Seixas, do Blog da Dilma. Ela cita levantamento do Tribunal Superior Eleitoral que apresenta a legenda é a que mais teve prefeitos, vereadores e deputados cassados por corrupção.
"O DEM ex-PFL foi minguando nas eleições de 2006, 2008, tornou-se um partido nanico", descreveu. "Rabo do PSDB, está em fase terminal, está sendo palco de corrupção explicita, nunca vista antes neste país", arrematou.
MPF entra com ação contra Maluf e Tuma por ocultação de cadáveres na ditadura
Artigo publicado na Revista Brasil Atual, autoria de Elaina Patrícia Cruz (26.11.2009)
"O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo encaminhou nesta quinta-feira (26) à Justiça Federal duas ações civis públicas pedindo para que autoridades e agentes públicos civis da União, do Estado e do Município de São Paulo sejam responsabilizados por ocultações de cádaveres de opositores da Ditadura Militar (1964-1985).
Entre eles, são citados o ex-delegado da época e chefe do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) e atual senador Romeu Tuma, o ex-prefeito de São Paulo e atual deputado federal Paulo Maluf, o ex-prefeito de São Paulo Miguel Colasuonno, o ex-diretor do Serviço Funerário Municipal na época Fábio Pereira Bueno e o médico legista e ex-chefe do necrotério do Instituto Médico Legal (IML) Harry Shibata.
O pedido do MPF é para que os cinco, que teriam contribuído para a ocultação e pela não identificação das ossadas de mortos e desaparecidos políticos dos cemitérios do Perus e de Vila Formosa, na capital paulista, sejam condenados à perda de suas funções públicas ou de suas aposentadorias. No entanto, mesmo que fossem sentenciados, os mandatos de Maluf e Tuma não seriam afetados, porque a Constituição impede a perda de mandato em ações civis públicas.
Outro pedido do Ministério Público é para que os acusados sejam condenados a reparar danos morais coletivos como pessoas físicas, mediante pagamento de uma indenização de, no mínimo, 10% do patrimônio pessoal de cada um. Essa indenização seria revertida para ações de preservação da memória sobre as violações aos direitos humanos ocorridos durante a ditadura.
A pena em dinheiro poderia ser diminuída caso os denunciados, se condenados em uma possível sentença, declararem publicamente os fatos que souberem relacionados ao período e que não são de conhecimento público.
Na ação - que foi proposta com base nos documentos e depoimentos colhidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Ossadas de Perus da Câmara Municipal de São Paulo, em 1990 – Tuma é acusado de não comunicar as mortes de opositores do regime aos seus familiares e Maluf, de ter construído o cemitério de Perus para enterrar os “terroristas”.
A segunda ação proposta pelo Ministério Público propõe que a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de São Paulo (USP), a União, o Estado e mais cinco pessoas, a maioria delas composta por legistas, sejam responsabilizados pela demora e pela falta de recursos na identificação das ossadas de mortos e desaparecidos políticos localizados em valas comuns ou outros locais do cemitério de Perus.
“Em alguns casos, a ação aponta indícios de condutas intencionais para prejudicar os serviços”, diz nota do Ministério Público. Essa ação tem pedido de liminar e pede para que a União reestruture, no prazo de 60 dias, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos e a dote de orçamento, pessoal e de um laboratório para se responsabilizar pelo banco de DNA de familiares."
FGV: Brasil está em fase de "boom" econômico
Matéria publicada no blogue do Luis Carlos Azenha, em 19.11.2009. A fonte ;e o Valor Econômico, UOL, a partir de sondagem econômica FGV/Ifo
"s expectativas de especialistas da América Latina sobre a economia da região melhoraram e continuam apontando para um cenário positivo, apesar de a análise para a situação atual ainda ser desfavorável. Para o Brasil, a situação é muito positiva e o país se encontra em fase de "boom" econômico, conforme sondagem feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com o instituto alemão Ifo.
O Índice de Clima Econômico (ICE) da América Latina avançou de 4 pontos em julho para 5,2 pontos em outubro, superando pela primeira vez desde janeiro de 2008 a média dos últimos dez anos, que é de 5,1 pontos. Segundo a metodologia do indicador, em uma escala de 1 ponto a 9 pontos. Marcações acima de 5 indicam otimismo; abaixo deste número, pessimismo.
Formado por dois subíndices, um sobre o presente e outro sobre o futuro, o movimento do indicador foi impulsionado pela melhora das expectativas - o Índice de Expectativas (IE) subiu de 5,4 pontos para 7 pontos entre julho e outubro. O Índice da Situação Atual (ISA) ficou no nível de 3,3 pontos, sendo que, em julho, estava em 2,6 pontos.
"A região manteve-se, desta forma, na fase de recuperação do ciclo, acompanhando, portanto, o resultado mundial", afirmou a FGV, em nota, enfatizando que o resultado da percepção atual ruim, seguido de expectativas boas se repete nos países desenvolvidos. Mas a situação do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China está melhor, informa o levantamento. "Com exceção da Rússia, todos os BRICs já estão na fase de 'boom'", ressaltou o estudo. Na sondagem atual, o Brasil passou de terceiro lugar para o primeiro, em termos de índice de clima econômico, no nível dos 7,4 pontos. Na sequência, aparece a Índia, com 7 pontos, que perdeu a liderança, e depois a China, com 6,5 pontos.
Na análise para o Brasil, o ISA avançou de 4,3 pontos em julho para 6,4 pontos em outubro, enquanto o IE saiu de 6,6 pontos para 8,4 pontos. "A sondagem aponta que a recuperação da economia mundial se iniciou pelos países em desenvolvimento, especialmente os chamados emergentes da Ásia e alguns países latinos", reforçou o documento. O levantamento de outubro mostrou ainda que, dos países da América Latina, três estavam em fase "boom" econômico: além do Brasil, figuram Peru e Uruguai. Dentre esses países, o Brasil se destaca por apresentar os maiores índices da região "seja o de clima econômico, situação atual ou de expectativas".
A Argentina e o Paraguai saíram da recessão e entraram no ciclo de recuperação na última apuração. A Bolívia, por sua vez, está na fronteira entre a recessão e a recuperação. Chile, Colômbia e México permanecem na fase de recuperação, enquanto o Equador e Venezuela continuam na fase recessiva. Para fazer o indicador, os institutos de pesquisa avaliam informações dadas por especialistas nas economias de cada um dos países. Os especialistas foram consultados a respeito dos principais problemas que suas economias vêm enfrentando e classificaram entre os mais graves a falta de confiança nas políticas do governo, a demanda insuficiente e o desemprego."
O neoliberalismo está “vivinho da silva”
Artigo publicado no Portal Nós da Comunicação (19.11.2009), autoria de Walden Bello - deputado da República das Filipinas e analista do centro de estudos Focus on the Global South (Bangkok).
"O recente colapso da economia mundial, causado predominantemente pela falta de regulação dos mercados financeiros, provocou uma erosão na credibilidade do neoliberalismo. No entanto, segue exercendo uma forte influência na maioria dos economistas e dirigentes de empresas, sobretudo pela ausência de uma doutrina alternativa.
Por que a contínua invocação dos mantras neoliberais quando as promessas desta teoria foram contraditadas pela realidade em quase todas as ocasiões?
O neoliberalismo é uma perspectiva que advoga a favor do mercado como o principal regulador da atividade econômica, enquanto busca limitar ao mínimo a intervenção do Estado.
Em tempos recentes, o neoliberalismo foi identificado com a própria ciência econômica, dada sua hegemonia como um paradigma dentro da disciplina, que induz à exclusão de outros enfoques.
Dado que a economia é vista em muitos setores como uma ciência irrefutável, quase como a física (é a única ciência social para a qual há um Prêmio Nobel), o neoliberalismo teve uma tremenda e penetrante influência não só em âmbitos acadêmicos, mas também nos meios políticos. Enquanto a Universidade de Chicago, lar do guru neoliberal Milton Friedman, se converteu em fonte de sabedoria acadêmica, em círculos tecnocráticos o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial foram vistos como instituições-chave que levaram esta teoria à política com uma série de prescrições que eram aplicáveis a todas as economias.
É surpreendente comprovar como só recentemente o liberalismo se transformou em um paradigma hegemônico. Até meados dos anos 70, as orientações econômicas keynesianas, que promoviam uma boa dose de intervenção estatal como necessária para a estabilidade e um crescimento econômico constante, eram a ortodoxia. No chamado Terceiro Mundo, o desenvolvimentismo, que prescrevia os princípios keynesianos para as economias que estavam insuficientemente penetradas e transformadas pelo capitalismo, era o enfoque predominante. Havia um tipo conservador de desenvolvimentismo e outro progressista, mas ambos viam o Estado como o mecanismo central do desenvolvimento.
Creio que há três razões pelas quais o neoliberalismo, apesar de seus fracassos, segue sendo dominante.
Em primeiro lugar, em certos países em desenvolvimento como Filipinas, a corrupção continua sendo considerada geralmente como uma explicação para o subdesenvolvimento. Deriva daí o argumento segundo o qual o Estado é a fonte da corrupção e o incremento do papel do Estado na economia, inclusive como regulador, seja visto com ceticismo. O discurso neoliberal concorda perfeitamente com esta teoria da corrupção, minimizando o papel do Estado na vida econômica e sustentando que tornar as relações de mercado dominantes nas transações às custas do Estado reduzirá as oportunidades para a corrupção tanto dos agentes econômicos quanto dos estatais.
Por exemplo, para muitos filipinos o Estado corrupto foi e segue sendo o principal obstáculo para a melhoria do nível de vida. A corrupção estatal é vista como o maior impedimento para o desenvolvimento econômico sustentável. A corrupção, por óbvio, deve ser condenada por razões morais e políticas, mas a suposta relação entre corrupção e subdesenvolvimento tem, de fato, pouca base.
Em segundo lugar, apesar da profunda crise do neoliberalismo, não surgiu ainda nenhum paradigma ou discurso alternativo convincente nem local nem internacionalmente. Não há nada parecido com o desafio que os princípios keynesianos colocaram ao fundamentalismo do mercado durante a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Os desafios apresentados por economistas estelares como Paul Krugman, Joseph Stiglitz e Dani Rodrik continuam enquadrados dentro dos limites da economia neoclássica.
Em terceiro lugar, a economia neoliberal segue projetando-se com a imagem de uma “ciência irrefutável” em razão de ter introduzido meticulosamente a tecnologia matemática. Como seqüela da recente crise financeira, esta extrema aplicação da matemática foi objeto de críticas dentro da própria profissão. Alguns economistas sustentam que o predomínio da metodologia sobre a substância converteu-se na finalidade da prática econômica e, consequentemente, a disciplina perdeu contato com as tendências e os problemas do mundo real.
Vale a pena notar que John Maynar Keynes, que era uma mente matemática, se opôs à “matematização” da disciplina precisamente pelo falso sentido de solidez que dava à economia. Como registrou seu biógrafo Robert Skidelsky, “Keynes era notoriamente cético acerca da econometria” e os números “eram para ele simplesmente pistas, indicações, gatilhos para a imaginação”, ao invés de expressões de certezas sobre fatos passados e futuros.
Superar o neoliberalismo, portanto, requer ir além da veneração dos números que, freqüentemente, cobrem a realidade, e ir além também do suposto cientificismo neoliberal."
SP e Sudeste perdem participação no PIB entre 1995 e 2007
Do Portal Estadão (18.11.2009). Matéria de Jacquelinie Farid, Agência Estado.
O Estado de São Paulo e a região Sudeste perderam fatia de participação no Produto Interno Bruto (PIB) do País entre 1995 e 2007, segundo mostram os resultados do PIB regional de 2007 divulgados nesta quarta-feira, 18, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A fatia paulista, que era de 37,3% em 1995, caiu para 34,6% em 2002 e ficou em 33,9% em 2007, não mostrando alteração em relação ao ano anterior. De acordo com o documento de divulgação da pesquisa, no período de 1995 a 2007 a economia paulista perdeu participação nacional na indústria e nos serviços, mas ganhou na agropecuária. Leia a matéria.
Saia curta e privataria
Do blogue do Professor Emir Sader. " O episódio de expulsão da moça que supostamente usava saia muito curta revela o universo desse tipo de instituição, supostamente de caráter educacional. Por si só – pelo comportamento maciço dos alunos e da diretoria da instituição – deveria servir para desqualificá-la como centro educativo." Leia o artigo na íntegra.