| Manchada de sangue |
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| 14 de Outubro de 2009 | |||
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Na edição de setembro do projeto Biblioteca Fazendo História, Lucia Bastos e Alberto da Costa e Silva debateram sobre as guerras da independência "dos Brasis" fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional (01.10.2009) Adriano Belisário Com quantos gritos se faz uma Independência? No caso do Brasil, foram vários. Muito provavelmente de dor. Longe de ser uma unanimidade na época, nossa emancipação ocorreu em meio ao zunir das balas. “Não havia Brasil. Eram Brasis. Tinham dois governos falsamente centrais. Um em Belém e outro no Rio de Janeiro. Ambos tratavam diretamente com Lisboa”, disparou o embaixador Alberto da Costa e Silva no debate de setembro do projeto Biblioteca Fazendo História. O encontro ocorreu na última terça-feira e também contou com a presença de Lucia Bastos, historiadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O evento acontece mensalmente no auditório da Biblioteca Nacional. Tratando da independência, as palestras apontaram as guerras, e não o grito do Ipiranga, como o grande marco de nossa libertação de Portugal. Segundo Lucia, na época, apenas um jornal citou a proclamação de D. Pedro I.Mesmo após a transferência da corte para o Rio de Janeiro, boa parte do país permanecia ligada diretamente a Portugal nas questões administrativas. O gigante Estado do Grão-Pará conseguia se comunicar mais rapidamente com Lisboa do que com a capital fluminense, por exemplo. “As províncias do norte e nordeste não viam D. Pedro exatamente como um soberano, mas como uma espécie de governador do Rio de Janeiro. Elas queriam autonomia”, destacou Lucia. O Piauí e Maranhão só aderiram à emancipação após uma forte intervenção armada do Rio de Janeiro, relatada em detalhes na edição de setembro da Revista. Mas nem todas as guerras foram ganhas. Atual Uruguai, a província Cisplatina não foi incorporada ao país recém-nascido, pois as tropas federais perderam a batalha em 1828, após três anos de combates. Segundo Costa e Silva, os confrontos eram feitos eminentemente por mercenários: - Toda independência da América Latina foi feita por eles. Guerra era coisa para profissionais. Os exércitos nacionais surgem apenas com Napoleão. Ao atravessar o Atlântico, a emancipação brasileira também agitou a África. A notícia causou fortes repercussões em Luanda e Benguela, que dependiam do comércio negreiro alimentado pelas cidades do Brasil. Para assegurar o pouco que restava da integridade de seu Império, Portugal exigiu ao Brasil que jamais aceitasse a adesão de uma colônia à independência. Porém, mesmo após a consolidação da independência, ainda demoraria muito para compreendermos que, além de mineiros, paraenses ou paulistas, éramos brasileiros. “Até então, prevalecia a identidade de súdito. Não havia a noção, que depois se instalou, de diferença de qualidade entre as partes do Império. Um brasileiro podia ser ministro em Lisboa ou um moçambicano trabalhar como juiz de direito no Rio de Janeiro, por exemplo”, afirmou o embaixador. As controversas histórias aprendidas nos bancos escolares foram criticadas por Lúcia Bastos. Segundo ela, os livros didáticos precisam de uma grande reformulação. “A Independência, por exemplo, parece que foi dada, algo pacífico. Quando, na verdade, as guerras foram intensas”, criticou. Neste caso, a historiadora aponta ainda uma possível explicação para as interpretações sobre os processos de emancipação do país: - Há uma certa tendência “riocentrista” na historiografia.
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Lucia, na época, apenas um jornal citou a proclamação de D. Pedro I.