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O fim do mito Microsoft PDF Imprimir E-mail
19 de Novembro de 2007

nassif.jpgArtigo publicado no blog do Luiz Nassif, no dia 19.11.2007. O autor faz uma série de considerações sobre matérias publicadas no caderno “Link”, do Estadão, que traz uma série de matérias importantes sobre os desdobramentos da crise do Vista – o último sistema operacional da Microsoft -, ao mesmo tempo em que dois de seus principais adversários – o Mac e o Linux – ganham versões cada vez melhores. Clique aqui para ler as matérias.

Lembro-me que, pouco antes do estouro da “bolha” da Nasdaq, um grande banco americano recomendava a compra de ações da Microsoft. Seu valor de mercado já era de, acho eu, US$ 400 bi. Para recomendar a compra, se teria que partir do pressuposto de que a empresa manteria o mesmo ritmo de crescimento anterior, no qual dominava completamente o ambiente dos desktops com o monopólio do Windows.

Mas o jogo, agora, era muito mais amplo e diversificado. Na área de banco de dados, teria que concorrer mais acirradamente com a Oracle. Na área de playstations, com a Sony. Na área de micros, com a invasão vindo da web, os novos sistemas que têm nos browsers seu ambiente de trabalho. E, na área de sistemas operacionais, com o avanço do Linux.

O fracasso do Vista mostra que a aposta era furada. Pior. A lógica Microsoft consistia sempre em tornar obsoleta a versão anterior do Windows, para impor as novas. Com isso, deixou órfãos uma legião de usuários do XP, soltos no ar com o anúncio da descontinuação do sistema, em favor do Vista.

Não apenas isso. Durante o período áureo do monopólio, a Microsoft atirava em todas as direções, com uma falta de objetividade que contrariava princípios básicos de estratégia empresarial.

Todas as aventuras eram possíveis graças ao monopólio do Windows. Foi através dele que seus primeiros sistemas de rede, horríveis, pouco a pouco conseguiram desbancar a campeã Novell; que seus primeiros Internet Explorers, horrorosos, desbancaram o Netscape; que o Acess desbancou o DBase e o Paradox; que o Word desbancou o Wordperfect; seus aplicativos conseguiram se impor sobre a simplicidade criativa da Lotus e da Boreland.

Tudo parecia possível para a Microsoft. Exchange e Sharepoint, para controlar o campo do trabalho colaborativo, SQL para o banco de dados, portal MSN (invadindo o terreno das notícias), Encarta (invadindo o das enciclopédias), Windows Media Player (tentando dominar o reino da música), uma área com aplicativos para pequenas empresas (canibalizando seus próprios parceiros desenvolvedores).

Tudo isso aliado a um sentido de marketing e a uma cooptação absurda das publicações especializadas. A gente só descobria as vulnerabilidades de um programa Microsoft – como o pesadíssimo Outlook – quando era lançada a versão seguinte, com as devidas correções.

Agora, o mito se desfez, coincidindo com a própria aposentadoria de Bill Gates. Qual a última grande inovação da Microsfoft? O Explorer foi batido pelo Firefox. O Office continua um belo sistema, mas incompatível com o Vista – para a maioria dos computadores. E será cada vez mais programas de nicho, para consumidores de maior renda. O concorrente do iPod fracassou rotundamente, apesar do estardalhaço do lançamento.

A invasão que veio pelos ares, com os programas e suítes baixados pela Internet, mais a consolidação da Apple e o avanço gradativo do Linux marcam definitivamente o fim do mito Microsoft.

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