| Xeque-mate na preguiça |
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| 12 de Novembro de 2009 | ||||||||||
Dentro do programa de educação integral, oficina de xadrez melhora o desempenho escolar e a autoestima dos estudantes do Centro de Ensino Fundamental 411fonte: Correio Braziliense (12.11.2009) Juliana Boechat Professor, consegui um xeque-mate", gritam a todo instante os alunos do Centro de Ensino Fundamental 411 de Samambaia, durante as aulas de xadrez. A partir daí, os professores Paulo César Severa, 32 anos, e Elmo Vinícius Mattioli, 25, passam pelas sete duplas de jogadores para conferir resultados, ensinar as regras do jogo e dar dicas. A aula, realizada toda quarta-feira, faz parte da educação integral(1). Aproveitando a autonomia da escola em escolher as oficinas em horário inverso às aulas, os professores sugeriram acrescentar o xadrez - os estudantes também podem praticar judô, música e dança. O sucesso foi imediato. Três meses depois da primeira aula, 80 alunos estão inscritos.
A ideia de incluir a aula de xadrez no projeto da escola partiu de Paulo César, professor de ensino religioso e artes. Ele também ministra aulas em um colégio particular, onde o esporte está incluso na grade curricular dos alunos de ensino fundamental. Percebendo os benefícios da prática do esporte em relação à disciplina, concentração e reflexão, Paulo decidiu desenvolver um projeto semelhante com os alunos de Samambaia. "O nível social é bem diferente, mas dá certo porque é um jogo democrático, de investimento baixo. O projeto de ensino integral ainda dá oportunidade para essas práticas de diversificar o conhecimento", defendeu.
Para ministrar as aulas, Paulo conta com a ajuda do professor de educação física Elmo Vinícius. Os dois utilizam ainda os benefícios da tecnologia: equipamentos multimídia, laptop e a internet. Em aulas diferenciadas, os alunos jogam xadrez com pessoas de todo o mundo. Aluno da 6º série, Yan Canãa Borges Moniz, 12 anos, conhece sites de jogos e compartilhou a experiência com a turma na semana passada. Durante uma manhã, os enxadristas mirins competiram pela internet. Foi um jogo coletivo: todos deram palpite e comemoraram a vitória. Yan gosta de xadrez desde os 6 anos, quando comprou o primeiro tabuleiro. "Vi em uma loja, achei bonito e comprei. Um vizinho me ensinou a jogar". Além de praticar durante o ensino integral e a educação física, ele aperfeiçoa as técnicas na internet. "Um japonês sempre ganha de mim. Estou treinando para ganhar dele", contou.
Evolução A sala é utilizada apenas pelos alunos de xadrez. Cartazes com os movimentos permitidos de cada peça estão pregados nas paredes. São sete tabuleiros para a prática dos alunos. Segundo Paulo, o xadrez é um esporte barato que faz "milagres" com os alunos. "O que temos aqui é bem simples, e já faz a diferença na autoestima e no desempenho dentro de sala de aula", explicou. "Nas escolas particulares já existe este tipo de projeto. Estamos aproveitando o gancho", completou. A diretora Maria de Fátima Medeiros Costa garante que a iniciativa ajudou os alunos na concentração e nas notas das provas. ""Os alunos se envolveram de uma forma surpreendente. Eles gostam de passar o dia na escola. E isso é interessante", disse.
Yan orgulha-se em contar que tem a segunda melhor nota da sala. As alunas da 6ª série Geisa Gabriele Carolino, 12, e Laiane Lopes de Sousa, 12, seguem o mesmo caminho. Elas sentem a melhora nas provas e na mudança no comportamento dentro da sala de aula. Elas não sabiam as regras do xadrez até iniciarem as aulas. "Além de aprender um pouco, é um momento de diversão. As notas melhoram em matemática, principalmente", disse Geisa. "Temos que raciocinar e ter paciência para fazer as jogadas no xadrez, na hora de fazer contas é a mesma coisa", completou Laiane. O mesmo ocorreu com o aluno Paulo Ricardo dos Santos, 12 anos. "Antes, eu ficava em casa todos os dias de manhã, sem fazer nada. Agora é bem melhor. Fiquei menos agitado", garantiu.
Sete horas O projeto de Ensino Integral foi instalado nas escolas públicas do Distrito Federal ano passado. A ideia é fazer com que o aluno passe sete horas na escola, em vez de quatro. Em um turno, o jovem assiste a aulas da grade curricular exigida. No contraturno, participa de oficinas escolhidas pela direção da escola. A expectativa é que se reduza o índice de evasão escolar e a repetência, além de aumentar a frequência escolar.
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