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Dominique Wolton: ‘o homem se comunica tão mal que há 130 anos cria novas técnicas de comunicação’ PDF Imprimir E-mail
16 de Novembro de 2009

Os veículos de comunicação continuarão coexistindo como nos dias de hoje

fonte: Nós da Comunicação (16.11.2009)
Marcos Moura

A afirmação é do francês Dominique Wolton, doutor em sociologia e diretor do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) em Paris. O pesquisador foi o convidado principal do debate ‘Elogio dos meios de comunicação: séries e criação de universos concomitantes’, dentro do VII Encontro Internacional de Televisão. O evento foi realizado na manhã de sexta-feira, 13 de novembro, no teatro Arte Sesc, no Rio de Janeiro.

Com a experiência adquirida em três décadas de pesquisas na área, Wolton não acredita que a televisão desaparecerá por conta da capacidade da internet em aglutinar funcionalidades.

“Há 30 anos ouço que a televisão vai morrer. Temos quatro e meio bilhões de aparelhos de TV em todo o mundo. A TV segue sendo o grande veículo de massa e segue confiável em todos os lugares. A TV bem-feita representa todas as classes, é um elo entre as pessoas. Cria uma cultura média, ligando meios sociais diferentes e fazendo todo mundo compartilhar”, disse o pesquisador, que comanda o Laboratório de ‘Informação, Comunicação e Implicações Científicas’ do CNRS. Ele citou a Rede Globo como um exemplo a ser seguido em todo o mundo.

“Interesso-me pelo caso da Globo, que tem uma força esmagadora no Brasil, mas tem  muita qualidade. É dominante, tem o monopólio, mas integra serviços públicos e é sensível à sociedade”, falou.

Wolton não tem dúvidas de que os veículos de comunicação que dispomos hoje continuarão existindo. O estudioso critica os que afirmam que a internet será dominante e que a convergência levará ao desaparecimento dos aparelhos de TV. “O homem se comunica tão mal que há 130 anos cria novas técnicas de comunicação. E nenhuma delas foi destruída nessa evolução. Existia o livro, criou-se a imprensa, o rádio, a televisão, a internet... O que temos hoje é um empilhamento de técnicas. Dizer, por exemplo, que o livro morrerá é uma burrice tecnológica. O livro estará presente no ambiente digital, mas continuará existindo no papel. Temos a necessidade do toque. A TV existe há 70 anos, e é muito pouco tempo para dizer que acabou como técnica de comunicação”, explicou.

O sociólogo confere uma parcela de culpa aos intelectuais pela teoria de que a TV será extinta para triunfo da internet. “Os intelectuais detestam mídias de massa, apesar de gostarem de aparecer nelas. Eles supõem que o público da TV é idiota, é um receptor passivo e manipulável. Eles se consideram superiores porque criticam, enquanto o público, não. Hoje, se busca reduzir a mídia de massa em busca da mídia individualizada. Fala-se do sucesso da internet justamente porque a inteligência estaria na lógica da demanda, enquanto, na TV, está na da oferta, da passividade”, salientou.

Wolton também fez um paralelo entre televisão e democracia. “Muitos falam que não gostam da TV, mas não vivem sem ela. Criticar um programa não quer dizer criticar a TV. É como a democracia, que é cheia de falhas, mas não há coisa melhor do que ela”, ponderou, assinalando na sequência o que considera falta de respeito pela “cultura de televisão”.

“O cinema é respeitado justamente por causa da ‘cultura cinematográfica’. A TV precisa ter sua cultura respeitada, afinal de contas, é uma cultura de 70 anos. Por exemplo, apesar das imagens da TV estarem em outras plataformas, é a cultura de TV que as produz, e não a informática ou as telecomunicações”, argumentou.

O constante avanço tecnológico também foi abordado pelo pesquisador, que acredita, no entanto, que as funções elementares de cada veículo continuarão a ser dominantes. “No futuro, poderemos fazer tudo pelo celular. Mas ele continuará sendo essencialmente um meio para a comunicação entre as pessoas. A maior importância dele continuará sendo as pessoas dizendo para as outras ‘onde você está?’ ‘o que está fazendo?’, ‘te amo’, ‘beijos’”, completou.

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