| Uma migração para a rede pública |
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| 06 de Abril de 2009 | |||||||||||
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Classe média começa a aderir ao ensino gratuito para economizar na educação dos filhos fonte: Jornal do Brasil (06.4.2009) Ana Paula Verly A rede municipal de ensino deixou de ser território das crianças menos favorecidas. Neste ano letivo, é expressiva, na classificação da secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, a presença da classe média nas escolas da prefeitura. Razões financeiras levam os pais a tirarem os filhos dos colégios particulares, mais inacessíveis depois da crise econômica mundial. Para facilitar o acesso dessa parcela da população, a secretária quer permitir a matrícula de alunos de 5 anos no primeiro ano - tal como na rede privada - a partir de 2010. A proposta vai ser apresentada ao Conselho Municipal de Educação no dia 14.
- A idade mínima que exigimos para a matrícula no primeiro ano, antigo CA, é diferente daquela da rede privada, o que gera um entrave para os pais - justifica Cláudia.
Se for aprovada pelo Conselho na próxima plenária, em 28 de abril, a mudança amplia de 28 de fevereiro para 30 de junho o prazo para as crianças matriculadas no primeiro ano completarem 6 anos. Com a facilidade, é esperado um aumento na demanda da classe média - ainda não mensurado - por uma vaga nos colégios públicos. Cláudia garante que, com a contratação de 1.800 professores concursados, prevista para o fim do mês, conseguirá acolher todo mundo.
- Além disso, temos espaço. São 1.062 escolas - assegura.
Nem todas, entretanto, correspondem às expectativas dos pais de classe média - mais exigentes. À preferência por estabelecimentos próximos à residência, somam, na hora da escolha, boas referências e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os índices mais altos do município na última avaliação, em 2007, foram 4,3, na 8ª série, e 4,5, na 4ª. Enquanto a média da rede municipal é de 4,2, a da rede particular - parâmetro da classe média - é de 6.
Com pais mais participativos, o ingresso da classe média na rede municipal pode resultar em melhorias na qualidade do ensino e no desempenho dos alunos, prevê Cláudia. Professores e diretores notam mais cobranças, reclamações quando não há aula e interesse no que é ensinado, o que acaba incentivando os outros pais a participarem e a cobrarem também.
Ao lembrar que a classe média já preencheu uma parcela significativa das vagas do município - e ainda preenche as do estado e do governo federal, mais reconhecidas - a professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Mírian Paura também entusiasma-se com as possíveis consequências do retorno dessa parcela da população.
- Mudanças virão - crê.
Marcelo Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, no entanto, vê riscos.
- As escolas públicas não têm a mesma qualidade. Poderão se arrepender.
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