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Alunos autores
Fazer dos alunos autores de uma revista é uma grande pedida para transformá-los em protagonistas do trabalho e aumentar sua auto-estima.
fonte: ANER (27.03.2008)

Isso pode ser feito em todas as faixas etárias - desde só com desenhos, para fazer uma revista em quadrinhos, até com textos profundos. O material básico é texto e ilustração. Se houver recursos para imprimir a revista, ótimo. Se não, bastam algumas folhas de papel sulfite dobradas ao meio e grampeadas, com uma capa colorida.

O que mais falta é as pessoas se sentirem protagonistas do processo de aprendizado", diz a psicopedagoga Grácia Lopes Lima, especialista em educomunicação. Como autor, explica ela, o aluno passa a construtor do conhecimento. "A responsabilidade que damos a eles também é importante. É uma postura diferente da da prova."

Interesse, envolvimento e disciplina foram os resultados descritos por quem adotou projetos em que os alunos escreveram uma revista. "Eles querem fazer bonito, dão o melhor de si", afirma Grácia.

"O legal é colocar a coisa na mão da meninada e ver o que sai", diz ela, que vê a iniciativa até como uma oportunidade para o surgimento de novos talentos, e principalmente como uma fonte de compreensão - para o professor - da nova geração.

Foi o que fez a professora Nilza Maria Neves Mancuso, com as turmas de 7a série da Escola Estadual Seminário Nossa Senhora da Glória, em São Paulo. Num projeto que durou três meses, os alunos produziram revistas de em média 70 páginas sobre temas escolhidos pelos professores e sorteados entre os grupos de 10 estudantes.

Cada série elaborou quatro revistas, num total de 24. Os temas escolhidos eram propositadamente amplos para permitir que houvesse muita pesquisa. Entre eles estavam: a evolução da mulher, a história da moda, a evolução dos meios de comunicação e de transporte, as guerras ao longo da história, a história da TV brasileira etc.

Os assuntos predeterminados eram para a matéria de capa, mas a revista tinha que ser como qualquer outra: ter outras matérias, seções fixas, piadas, palavras cruzadas etc. Até a propaganda eles tinham de criar, com produtos reais ou inventados. A idéia era que cada revista tivesse 40 páginas, mas o material produzido foi tanto que o limite acabou se expandindo.

"Mesmo assim, eles precisavam fazer uma seleção do material pesquisado, o que desenvolvia o espírito crítico", conta Nilza.

As disciplinas que comandaram o projeto foram português e educação artística, mas outras áreas, como geografia e história, também acabaram se envolvendo, por conta da natureza dos temas. O ideal é que o projeto já seja pensado interdisciplinarmente, mas às vezes, reconhecem os professores, é difícil engajar todo mundo numa proposta desse tipo.

As reuniões dos grupos eram feitas fora do horário de aula, apesar do monitoramento em classe. "É bom porque estimula a convivência, a administração de problemas e o respeito mútuo: como encontrar um dia comum, um lugar comum a todos", diz Nilza.

Cada grupo tinha um líder, em princípio estabelecido pelos próprios alunos, com interferência discreta do professor. "Houve casos em que o líder de fato não foi o líder estabelecido no início." Cada aluno realizou uma auto-avaliação final, e o resultado foi colocado em exposição na escola. Um pai de aluno, dono de uma gráfica, ajudou na diagramação.
 

Na escola judaica Beit Yaacov, trilíngüe, uma revista foi produzida em português, inglês e hebraico por alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental. Eles fizeram a capa em português e inglês e a contracapa em hebraico, já que nessa língua revistas e livros são lidos "de trás para a frente". O envolvimento dos alunos e a emoção ao ver a revista pronta, diante dos pais, foi surpreendente, assim como o resultado na EE Seminário Nossa Senhora da Glória.

"Eles fizeram trabalhos ótimos", diz Nilza. "Não é para ter vergonha do que os alunos venham a produzir", já aconselhava Grácia. E precisa?

Nós também produzimos uma revista! Conheça, passo a passo, como você também pode produzir uma revista na escola.

No começo, os professores
Se queremos alunos entusiasmados, é preciso começar com os professores: envolvê-los numa oficina para ler e analisar revistas.

Neste primeiro passo, reunimos uma variedade de revistas, de diferentes gêneros e temas, periodicidades, preços, editoras. O primeiro passo abrange a montagem de um quadro em que os professores registram semelhanças e diferenças analisadas na comparação das revistas da oficina.

Os alunos entram em ação
O oficina de revistas com os alunos deve trabalhar variedade correspondente de revistas. Nada de pressa. O estudo comparativo das revistas poderá demandar várias rodas (reuniões do grupo-classe). A capa, o expediente e o sumário e rápida leitura salteada bastarão para caracterizar cada revista quanto ao gênero e outros atributos. Os professores não devem entediar os alunos com leitura extensa do conteúdo das revistas; o importante é o conhecimento básico das características gerais desse tipo de publicação.

Não é preciso recear a introdução de alguns termos editoriais nas rodas. As crianças podem incorporá-los a seu vocabulário sem nenhuma dificuldade. Termos técnicos elementares trazem efeitos positivos. Entre eles, o de levar as crianças a se sentir "do ramo".

De olho nos bons modelos
Nesta etapa, agora sim, lemos com as crianças revistas infanto-juvenis além de outras que, mesmo de audiência etária indistinta, contenham matérias acessíveis e interessantes para os alunos. A partir dessa leitura, e dos muitos comentários inspirados por ela, os alunos irão definindo sua idéia do tipo de revista que eles irão "editar".

Mãos à obra!
Ao longo da análise do conteúdo das revistas, as crianças vão definindo o tipo de matérias que sua revista vai conter: reportagem, quadrinhos, notícias, curiosidades etc. Uma "pauta" rudimentar emerge desse "brainstorm".

Com maior ou menor orientação e contribuição dos professores (segundo o nível da classe), as crianças começam então a produzir as matérias, algumas individualmente, outras em duplas ou pequenos grupos. Se a escola dispuser de computadores, alguns textos poderão ser digitados pelas crianças com assistência docente. Desenhos (sempre em branco e preto, para contenção realista do custo) podem ser produzidos diretamente no papel.

"Revista de verdade"
Reunido e selecionado o material produzido, chega a hora de organizá-lo com aparência tão profissional quanto possível, para produzir uma "revista de verdade". Ou, como disse um dos alunos, uma "revista de banca".

Havendo recursos ou pais voluntários, a criação da capa (inclusive logo do nome), o escaneamento das imagens e a diagramação do miolo podem ser confiados a um profissional. É indispensável, porém, que o "diretor de arte", mesmo que não seja profissional, trabalhe em colaboração com as crianças, sem aliená-las dessa etapa. Precisa reunir-se com elas, dar as explicações pedidas, ouvir sugestões e, assim, estender a essas tarefas o sentimento de "autoria" das crianças. É igualmente importante que as crianças vejam a revista como sua criação (apesar do concurso de adultos), e também que reconheçam e respeitem, em algum nível, as funções de profissionais do ramo.

Produção gráfica
A produção gráfica da revista poderá ser interna ou encomendada a uma oficina especializada. Máquinas copiadoras em cor e em branco e preto são a opção mais econômica para a tiragem de algumas poucas dezenas de exemplares (um para cada aluno, no mínimo). Se não houver recursos, pode-se produzir apenas um "boneco" (um modelo), o original da revista, grampeado e com capa produzida pelos alunos.

Sétimo passo - "Circulação"
Não há revista sem leitor. Uma vez pronta, a revista precisa ser lançada. No caso, o lançamento precisa ser festivo. Pais, professores, alunos, todos precisam congregar-se para a festa de distribuição e exposição de diferentes exemplares abertos em painéis.

Também em painéis se pode expor a história da criação da revista. Essa história pode ser documentada por fotos registrando todos os passos cumpridos, devidamente legendadas, e também por "originais" que as crianças hajam produzido, inclusive rascunhos.

 

 

Fazer revista ensina:
- A pesquisar e selecionar informação
- A importância da responsabilidade social do produtor de informação
- A conviver em grupo e tomar decisões coletivas
- A criar
- Que a produção de informação é um processo longo e delicado
- Que o saber acumulado é fonte de liberdade de escolha e atuação
- Que o professor é um coordenador, cooperador, e não o único responsável pelo aprendizado

 



 
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