| Aprendendo Inglês e Ciências em aulas de culinária |
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Através de atividades de culinária em grupo, as crianças aprendem ciências e inglês de forma prazerosa, lúdica e integrada.
O principal objetivo desse projeto é a formação de bons hábitos alimentares, favorecendo a nutrição adequada e a saúde das crianças, enquanto aprendem uma segunda língua, desenvolvem autonomia, responsabilidade, e cooperação. Autor: Selma de Assis Moura Tema: Educação Nutricional Título: Cooking with Fruits (Culinária com frutas) Disciplina(s): Língua Inglesa Conceito(s) Trabalhado(s): Educação nutricional, alimentação saudável Abrangência: Ensino Fundamental - ciclo I Tempo estimado para realização: Um ano Esta produção trata-se de: uma experiência Cenário: Crianças aprendendo Inglês e Ciências em aulas de culinária Esta é uma seqüência de atividades que criei e desenvolvi por dois anos com meus alunos, em uma escola bilíngüe. Decidi compartilhá-la com colegas porque meus alunos aprenderam muito nesse trabalho, tanto em termos de vocabulário quanto em seus conhecimentos científicos. O maior benefício foi, no entanto, vê-los se alimentarem melhor na escola saber que também em casa passaram a comer melhor. Esse é um trabalho que modifica até a família, pois uma carta, enviada no início do trabalho aos pais, explicava o que faríamos e os convidava à participar. Desde então, outras turmas, com outras professoras minhas amigas, colegas de trabalho ou conhecidas, adotaram esse projeto, fizeram suas próprias adaptações e continuam utilizando-o com as crianças. Fico feliz por ver que está dando certo! Recursos Necessários: Receitas em que as frutas sejam os principais ingredientes (como sucos, pudins, gelatinas, geléias, sorvetes, bolos e tortas) Ingredientes, solicitados aos pais com uma semana de antecedência, um por criança Utensílios de cozinha, como potes, bacias, fôrmas, colheres, peneiras e medidores Batedeira, liquidificador, fogão e forno Justificativa: Embora a alimentação seja uma das necessidades básicas para a sobrevivência dos seres vivos, e sua busca um instinto natural, entre os seres humanos a alimentação assume um outro sentido: é um ato social, não a mera satisfação de uma necessidade básica. Alimentar-se, em nossa sociedade, assume diversas funções de acordo com a cultura de cada grupo social. O que comer, como o alimento será preparado, de que forma será ingerido, com quem será compartilhado... todos esses contextos são definitivos na formação pessoal da criança e na forma como encarará a comida por toda a vida. A sociedade pós-industrial trouxe inúmeras mudanças que influenciaram o cotidiano das famílias sobretudo no que diz respeito à alimentação. Não apenas os alimentos passaram a ser cada vez mais calóricos e gordurosos, com aditivos químicos como conservantes e corantes, como o consumo desses alimentos afastou cada vez mais das mesas alimentos “in natura”. Assim, a obesidade, inclusive a obesidade infantil, torna-se um problema de saúde pública que cada vez mais antecipa doenças anteriormente tidas como de adulto, como diabetes e hipertensão. Além disso, as exigências profissionais que lançam os pais ao mercado de trabalho entregando os cuidados com as crianças a terceiros gera uma modificação na função agregadora do momento de alimentar-se. Sentar-se à mesa com a família, tornar a refeição um momento calmo de confraternização é cada vez mais raro. Não é incomum ver crianças comendo na frente da televisão, mais atentas ao que é exibido do que ao que é ingerido. Produzem-se adultos tensos, comendo por ansiedade, sofrendo com os quilos a mais, embora tenham que haver-se com anemia e desnutrição. A conclusão é que, apesar dos avanços da agricultura e da tecnologia, come-se pior nos dias de hoje. Ingerem-se mais calorias e menos nutrientes. O apelo das mídias via propaganda leva-nos a entupir nossas geladeiras de alimentos industrializados em detrimento dos alimentos frescos. E nossas crianças conhecem cada vez menos da imensa variedade disponível na gastronomia brasileira, pois até sua alimentação é massificada. Através desse projeto pretendi ampliar o conhecimento que as crianças têm de frutas. Nós professoras sabemos a importância das vitaminas e sais minerais para o crescimento e a saúde das crianças, e constatamos que além de muitos de nossos alunos não gostarem de frutas, mesmo os que as comem possuem um repertório muito limitado, que apresenta geralmente aquelas mais conhecidas, como banana, maçã, pêra e mamão. Pretendi enriquecer o conhecimento de frutas destas crianças, despertar seu paladar para novos sabores e envolvê-las na preparação e degustação de pratos que a ajudem a apreciar as tantas possibilidades que nosso país tropical oferece. Além do que já foi dito em termos de alimentação, há ricas possibilidades de aprendizado através do uso de xícaras e colheres de medidas, da necessidade de contar quantidades. Também podemos, nesse trabalho, ensinar conceitos simples de matemática e ciências, envolvidos no controle de quantidades e na observação da transformação dos materiais. As receitas utilizadas são portadoras de texto que trazem consigo a noção do uso social da escrita. Possibilitam praticar como seguir instruções e servem como registro escrito. As habilidades de mexer massa, untar panelas e decorar louças antes de servir são formas prazerosas e contextualizadas de desenvolver a coordenação motora fina. E, ainda mais importante que as habilidades que as crianças aprendem e praticam, é o sentimento de realização e confiança que vivenciam. Sentem-se orgulhosas das delicias que estão fazendo, o que é essencial para a auto-estima. Escolhi, para esse trabalho, receitas simples, deliciosas e apropriadas para lanches ou refeições leves. Elas foram preparadas no refeitório da escola, sob supervisão da professora, em atividades específicas que ocorrem semanalmente. É importante trazer o registro escrito das receitas, grande e facilmente visualizáveis para o grupo, e dispor antecipadamente todo o material e ingredientes necessários, para juntos preparar e degustar as delícias cujas receitas, ao final do ano, compõe um livro de receitas. Ao final da degustação, na retomada em classe, durante a roda de conversa e a atividade de registro, cada criança compõe o registro do prato preparado. Assim, nosso caderno de receitas constitui um produto individual, a síntese do trabalho desenvolvido, com a receita, os desenhos ou colagens das crianças e algumas fotografias como registro visual. Objetivos: OBJETIVOS ESPECÍFICOS (QUE AS CRIANÇAS SEJAM CAPAZES DE): • Saber a importância da alimentação para o crescimento e a saúde; • Conhecer diversos tipos de frutas • Incorporar ao seu vocabulário os nomes das frutas em inglês; • Ter prazer em experimentar novos sabores • Interessar-se por preparar alimentos; • Observar os materiais e suas transformações; • Formular hipóteses sobre o resultado de ações (ex: vamos colocar o suco no freezer. O que vai acontecer?); • Incorporar à sua vida cotidiana o consumo das novas frutas conhecidas. Conteúdos: Conceituais: Frutas: seus nomes e características; Funções dos utensílios (liquidificador, espremedor, facas, etc); Reconhecimento de receitas como portadoras de texto; Procedimentais: Noções de segurança no manuseio dos utensílios; Observação dos processos de transformação; Atitudinais: Prazer na preparação dos alimentos; Prazer na degustação; Cuidados de higiene na preparação dos alimentos; Interesse por cozinhar; Respeito aos colegas, sabendo esperar sua vez para participar e provar. Desenvolvimento: O QUE O PROFESSOR PRECISA SABER/FAZER: • Selecionar receitas que tenham frutas como principais ingredientes e sejam de fácil preparo. Se estiverem em português, transpô-las para o inglês. • Certificar-se de que a escola tenha o material necessário à preparação das receitas, tais como liquidificador, espremedor de frutas, batedeira, peneira, tigelas grandes de plástico, fôrmas, colheres e copos de medida, copos altos de plástico, pratinhos de plástico, etc. • Conhecer bem o vocabulário pertinente: nomes das frutas e dos utensílios, bem como os verbos de ação específicos das atividades culinárias; • Confeccionar cada receita em tamanho A3, tornando-a visível para a turma toda; • Preparar previamente as folhas que comporão o livro de culinária; • Providenciar câmera fotográfica e filme, para registro da preparação e da degustação. Orientações Didáticas: Os ingredientes necessários são solicitados aos pais com uma semana de antecedência. Preparar as receitas considerando a época do ano e a disponibilidade das frutas de acordo com a estação. Antes do início do preparo da receita, todas as crianças deverão lavar cuidadosamente as mãos. A professora explica a importância do asseio antes do preparo dos alimentos, bem como da necessidade de lavar cuidadosamente as frutas e utensílios antes e depois do uso. No início da atividade, apresentar às crianças a receita. Dispor os ingredientes e os materiais necessários sobre a mesa. Ler a receita aos poucos, pedindo às crianças que apontem os ingredientes. Na preparação, convidar as crianças para tentar seguir as instruções, medindo os ingredientes, adicionado-os, manuseando-os e envolvendo-se tanto quanto possível no preparo. A professora auxilia nas etapas que representem dificuldade ou perigo, como cortar ou levar ao fogo. Vocabulário Específico: Frutas Apple: maçã Avocado: abacate Banana: banana Cherry: cereja Chestnut: castanha Coconut: coco Damask: damasco Khaki: caqui Kiwi fruit: kiwi Mango: manga Melon: melão Mulbery: amora Orange: laranja Passion fruit: maracujá Pear: Pêra Pineaple: Abacaxi Plum: Ameixa Prune: ameixa-seca Raisin: uva-passa Tangerine: mexerica Watermelon: Melancia Outros ingredientes Cinnamon: canela Oat: aveia Brown sugar: açúcar mascavo Utensílios Aluminum foil: papel-alumínio Blender: liqüidificador Scoop: concha de sorvete Squeezer: espremedor Verbos To bake: assar To blend: misturar To chopp: cortar To coat: cobrir (com cobertura) To dip: mergulhar To gulp: devorar To peel: descascar To pour: derramar To slice: fatiar To stir: mexer com colher Avaliação: • Anotar as questões que surgem e as hipóteses formuladas pelas crianças. • Perceber se incorporaram novos hábitos de alimentação no lanche; • Observar se utilizam o vocabulário aprendido nas atividades; • Registrar sua participação na retomada, durante a roda de conversa, e na confecção do livro de receitas. Bibliografia: ANUNCIATO, Ofélia Ramos. O Grande Livro da Cozinha Maravilhosa de Ofélia. São Paulo, Melhoramentos, 1998 BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, MEC/SEF, 1998. BROWN, Karen. Mommy’s Little Helper Cookbook. Ilustrated by Glenn Quist. New Your, Meadowbrook Press, 2000. A Boa Mesa. São Paulo, Nova Cultural, 1994
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